Nunca diga adeus

1 Março, 2018
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“Never say good-bye, because good-bye means going away, and going away means forgetting”

-Peter Pan

Vocês sentem aquele medo constante de esquecer coisas, lugares, pessoas que fizeram parte de uma fase muito importante da sua vida? Andei me perguntando o motivo de nunca me contarem que, com a saudade, o medo do esquecimento vinha no pacote.

Morte, distância, quilômetros… seja o que for que te separa do que ama, o carteiro sempre é o mesmo: o adeus. E eu, durante meus quase quinze anos, já recebi muitos pacotes como esse.

Eu sempre odiei despedidas. A ideia de que algo que roubou meu coração de alguma forma está me deixando resulta na sensação de nunca saber o que fazer nesse exato momento em que minha alma percebe que aquilo está escorrendo pelas minhas mãos. Quero que fique, quero ficar.

Tenho amigos espalhados por todo canto, como em São Paulo, Campo Grande, Rio, Cidade do México, Chile, Polônia, Fortaleza… Tenho pessoas da família que decidiram que já tinham vivido o suficiente, cidades do mundo pelas quais eu passei e deixei um pouquinho de mim por lá.

Pelo fato de ter que ficar longe de tudo isso, esse texto foi necessário de ser escrito.

Quando o coração dói, abre uma ferida enorme. E essa ferida enorme, além de ser a mais dolorosa de todas, é a que mais demora para cicatrizar. Nem sempre ela consegue deixar aquele lugarzinho ferido exatamente como antes, e é aí que mora o nome da dor: saudade.

Às vezes, eu prefiro deixar ir sem a tal despedida. É uma lógica louca da minha cabeça que me faz acreditar que, assim, a saudade dói menos. Seguindo o mesmo raciocínio, gosto de ir sem dizer adeus. Pode parecer que não, mas essa simples palavrinha de cinco letras faz um estrago danado com a gente.

Eu me achava um pouco egoísta de pensar dessa forma, sabem? Deixar aquele lugar, aquela pessoa, aquela coisa que me despertou amor sem mais nem menos. Foi só então que, assistindo Peter Pan de novo depois de anos, eu topei com essa frase: “nunca diga adeus, porque isso significa ir embora, e ir embora significa esquecer”.

Foi a primeira vez que eu me senti compreendida nessa questão. Talvez Peter tenha me entendido melhor porque nós temos uma coisa em comum: não queremos que o tempo passe. Só que a diferença é que, na Terra do Nunca, isso é possível. Aqui, na impiedosa realidade, não.

Só que isso só reforçou minha teoria. Podemos muito bem abraçar, chorar, nos sentir tristes sem ter que pronunciar a palavrinha “adeus”. Isso é o nosso coração mandando um recado para o da outra pessoa de que nunca vamos esquecê-la, e vamos guarda-la com a gente para sempre.

Acabei descobrindo que dá para improvisar uma Terra do Nunca aqui na Terra, afinal. Onde o tempo nunca passa, onde nada muda e o amor consegue permanecer para sempre: dentro de nós.

Esquecimento? Quando o amor é verdadeiro, o tempo não consegue nos fazer esquecer.

Sim, a saudade pesa a alma, e mesmo não dizendo adeus, ela vai continuar ali de uma forma ou de outra. Consegui me conformar um pouco com isso, e acho que tenho muita sorte de ter motivos para sentir esse pesar. Isso significa que eu amei, amo e vou continuar amando, e eu acho isso a coisa mais linda do mundo.

A saudade acontece — e é difícil no começo. Mas, aos poucos, a gente vai encontrando nosso caminho, olha para trás e vê que tudo valeu à pena.

Ana Laura Marins

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Dicas simples para superar um dia ruimGarota Da Praia

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Sobre mim

Ana Laura Marins

Oie, eu sou a Ana Laura, tenho 14 anos e criei este blog para compartilhar meus sonhos e descobrir o meu lugar no mundo. Gosto de café, dias chuvosos e sorrisos sinceros, além da minha mania incurável de contar histórias.

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