Desafio ESCREVER FORA DA ASA - Textos vencedores

26 Dezembro, 2017
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Oi oi meus amores! Tudo certinho?

Hoje o post é muito muito muito especial! Se vocês têm acompanhado o blog há um tempinho, vocês sabem que estava rolando um certo desafio esses tempos. 🙂 Através desse post eu venho com muito orgulho apresentar os quatro textos vencedores do Desafio ESCREVER FORA DA ASA.

Eu recebi textos maravilhosos, todos estavam muito bons e confesso que foi realmente difícil escolher. Queria agradecer à todos os participantes por terem se arriscado, e quero que vocês continuem escrevendo, sem exceção! Vamos crescendo juntos, certo? 😉

Obrigada pelo carinho com o blog, estou mais do que contente em poder dividir esse meu espacinho com vocês. Sem mais delongas, vamos aos textos dos leitores!


  • Sobre mudanças internas e externas por @eusouoquepenso

O primeiro texto vencedor é de um autor meio misterioso, e por isso, tem um pseudônimo: Eu sou o que penso. Ele ou ela escreve no anonimato e mora em São Paulo capital. Ficaram curiosos? Segue aqui o texto desse (a) autor (a) secreto (a).

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Quem eu fui ontem é passado. Não recordo, desconheço, nunca vi antes. Desconstruí, modifiquei e fiz ajustes de um dia pro outro. Exato, de um dia pro outro eu mudei. Meus conceitos, minhas certezas e minhas ideias não são mais as mesmas, não se mantêm fixas por muito tempo e nem deveriam, pois tem sempre algo novo pra acrescentar no que já está ali há meses ou anos e, para que isso aconteça, é preciso esvaziar o que está cheio para acomodar e dar boas-vindas ao que entra.

Quem eu fui ontem tinha outro olhar sobre a vida: um olhar tranquilo, apaziguador, simples e sem agitações. Mas, hoje, andou inquieto, agitado, dando uma olhada geral em tudo e analisando cuidadosamente cada situação com afinco. Hoje, renovei tantas coisas: pensamentos, sentimentos e, o que estava um caos, eu organizei.

Porque tudo se renova se a gente permitir. Quem eu fui ontem talvez fosse menos tolerante, menos completa, menos decidida até. Agora a percepção é outra: e a atitude idem. Se ontem não me valorizava nesse instante, me valorizo e sei que sou importante. Se ontem a tristeza me pegou desprevenida e me levou a nocaute em um choro compulsivo – depois de horas de sono – eu acordei me sentindo estável. Se ontem eu o amava loucamente e não conseguia pensar em mim sem ele após costurar o coração, já não me resta dúvidas de que estou em perfeita ordem.

Se ontem eu era contraditória, nessa noite estou equilibrada. Se ontem esperava tão pouco da pessoa que sou, posso dizer nesse segundo que tenho me dado votos de confiança, tenho lidado bem com a ansiedade e não coloco tanto peso desnecessário nas costas.

Olha, a versão que eu fui ontem, anteontem e semana passada não existe mais, se desfez para que a atual pudesse dar conta dessa vida exigente. Essa vida que não nos dá colher de chá, que nem sempre nos trata com delicadeza e que nos arrepia com choque de realidade assim que levantamos da cama. Essa vida que me faz renascer forte e que me revela diariamente que é através desse jeito meio bruto que eu me descubro.

Portanto, não me cobre constância, não venha a procura da pessoa que você viu na rua e que conversou amenidades com você, porque ela não está mais aqui.

Desculpa.


  • Viajante do Tempo por Stella Mascarenhas

O próximo texto é uma carta meio futurística (endereçada a mim. Viram que chique?). A leitora do blog que escreveu é a Stella Mascarenhas, ela tem 14 anos e mora em Osasco, São Paulo. Sendo tele-transportados para o futuro em 3…2…1:

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Ikusasa, 30 de Dezembro de 2089 – 23h00

Cara leitora,

Escrevo nesse exato momento, pois sinto que talvez não tenha mais outra oportunidade. Já são quase meia-noite e ainda sinto o calor do sol queimando minha pele, o ar seco adentrar meus pulmões e o cheiro da poluição perfurar meu nariz. Por favor, não rasgue este papel e o jogue no lixo! Não é um trote, não é uma brincadeira de mal gosto. Por favor, acredite em mim… Estou presa no ano de 2089. Sim, 72 anos no futuro – Isso, é claro, se você estiver no ano de 2017.

Te peço para que não se empolgue, o ano de 2089 não é maravilhoso como você pensa, minha cara leitora. Não há carros voadores, a NASA não criou uma nova nave capaz de nos levar para outros planetas, não é possível controlar a temperatura ou congelar o tempo e não, a poluição não foi eliminada da face da Terra. A realidade é bem diferente daquela que você pensa.

Os carros não existem mais, foram destruídos décadas atrás; a NASA tentou, tentou muito construir algo que pudesse nos salvar da fúria do planeta Terra, mas foi dizimada 10 anos atrás levando consigo qualquer forma de construir uma tecnologia mais evoluída, e a poluição tornou-se a nossa mais poderosa e temida inimiga.

O ar aqui é seco, o sol tornou-se maior e muito mais quente, as plantas estão extintas e os únicos sobreviventes estão escondidos em cavernas ou em lugares que costumavam ser mais frios. A vida na Terra está morrendo lentamente e não há nada que possamos fazer.

É por isso que estou escrevendo nesse momento.

Cinco anos atrás, descobri que havia um jeito de salvar o planeta. Apenas um. Escrever uma carta para alguém que se tornaria importante na sociedade de 2017 e enviar por meio de uma fenda no tempo.

Eu escolhi você.

Peço para que mostre para todos que conseguir. O futuro do Planeta Terra está em suas mãos, Ana Laura Marins.

Peço desculpas por não conseguir explicar mais nada e desejo que consiga salvar todos nós.

Assinado:

                                 Stella Mascarenhas da Silva, a Viajante do Tempo.


  • YOLO por Paula Silvana

O conto a seguir foi escrito pela leitora do blog Paula Silvana de Frias Lima Santos, ela tem vinte e dois anos e mora em Alagoinhas, na Bahia. Espero que se emocionem tanto quanto eu!

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Eu estava ali de frente para ele: a única pessoa que fez meu coração ficar com batidas desreguladas durante tantos anos. Embora também tenha sido ele que fez essas mesmas batidas desreguladas irem perdendo o ritmo, deixando meu coração parecer impossível de realizar seu trabalho que era me manter viva.

Encarei os olhos dele. Flashes de um passado, não tão distante, desencadearam uma série de sentimentos e sensações que eu havia escondido no lugar mais profundo e sombrio – que eu tinha destinado única e exclusivamente para ele – do meu coração.

Inicialmente, lembrei do brilho brincalhão que estava ali no primeiro dia que nos falamos: eu estava com uma pilha de ofícios na mão e acabei tropeçando nos cadarços do meu all-star, o que resultou numa queda maravilhosa aos pés dele, que me ajudou a levantar. Que lindo! A estagiária desastrada esparramada na frente do bonitão mulherengo do RH.

Em seguida, lembrei da ternura presente ali quando contava minhas aflições e ele rebatia com sua frase clichê “you only live once” como uma forma de me dizer que eu deveria desencanar e aproveitar um dia após o outro. É, nós havíamos nos tornado amigos depois de mais alguns tropeções, que sempre aconteciam quando ele estava por perto.

Depois lembrei da paixão que incendiava os olhos dele na primeira vez que nos beijamos: tinha acontecido uma queda de energia no prédio e estávamos na sala da copiadora. Me assustei no início e acabei indo em direção a ele, que me abraçou, e disse que tudo ficaria bem.

Ele alisou meu cabelo e colocou sua cabeça na curva do meu pescoço. Inalou meu perfume e começou a distribuir selares por ali subindo até minha bochecha, seguindo até o canto da minha boca. Com esse movimento inesperado da parte dele, apertei com força sua camisa, respirando pesadamente.

“Você… O que você fez comigo?”

Ele perguntou para em seguida me beijar. Não demorei para corresponde-lo e me aproveitar daquele beijo para colocar para fora todo o sentimento que estava reprimido desde a primeira vez que ele sorriu pra mim. A luz se acendeu no mesmo instante que precisamos nos separar. Nos encaramos e eu me dei conta que ele sentia o mesmo que eu.

Em mais um flash, lembrei do amor presente naquelas íris incandescentes na primeira vez que nos entregamos um ao outro. Estava frio e ele aparecera na sala da nossa casa, onde eu estava de frente para a lareira, com duas taças de vinho tinto nas mãos. Ele entrelaçou nossas mãos, beijando nossas alianças. Após isso, recitou seus votos, mais uma vez ao pé do meu ouvido, e eu tive certeza que aquela era a melodia que eu desejava ouvir por toda a minha vida.

Olhei para ele, que sorria, e envolvida pelo momento, recitei meus votos também. Um “eu te amo” foi ouvido ao mesmo tempo, saído de nossos lábios e desse modo, nosso amor foi consumado.

Por fim, lembrei da frieza presente no lugar que sempre fora tão caloroso para mim: ele estava indo embora e disse que não aguentava mais levar aquilo adiante. Além disso, disse que perdera dois anos da sua vida tentando convencer a si mesmo que realmente me amava… Que era suficiente.

“Sinto muito.”

Foi a última coisa que ele disse ao cruzar aquela porta e me deixar com feridas no coração que nunca iriam sarar.

De volta à realidade, também pude perceber que eu nem tinha mais o direito de sentir raiva dele. Meu marido estava numa clínica para pessoas com Alzheimer desde o dia que resolveu me abandonar. O enfermeiro me disse que a doença dele havia evoluído mais rápido que o normal e que em cerca de 6 meses ele já havia esquecido de tudo.

Naquele dia, meu marido havia ficado lúcido e pediu para que me contatassem, o que foi fácil porque meu número e endereço continuavam os mesmos. Mas, eu havia chegado tarde demais… Quando nossos olhos se encontram, ele já não era mais o meu marido. Já não me reconhecia mais. Achou que eu estava ali para leva-lo para algum lugar que ele odiava e eu tive que sair porque ele ficou muito agitado.

O enfermeiro me levou para um local reservado e ali mesmo eu desmoronei. Eu sei que ele queria me poupar de todo aquele sofrimento, mas eu prometi que estaria com ele na saúde e na doença. Eu prometi que cuidaria dele até o dia que um de nós não estivéssemos mais na Terra.

Após uma água e um calmante, eu estava mais controlada e o enfermeiro me entregou uma agenda. Abri e me deparei com coisas sobre nós, principalmente sobre mim. Lá ele contava como havia se apaixonado por mim, como havia sentido que encontrou seu lugar no mundo no dia que nos beijamos, como se sentia realizado e aflito, ao mesmo tempo, no dia do nosso casamento por achar que não seria capaz de me fazer feliz, como essa insegurança foi embora quando ele ouviu meus votos mais uma vez naquela noite…

E foi aquela agenda que me deu forças para voltar ali, dia após dia. Além de não me reconhecer, meu marido continuava não gostando de mim. Eu comecei a ajudá-lo com o jardim que ele havia feito como uma forma de distração. Alguns dias ele me tratava bem, mas logo em seguida voltava a me tratar com hostilidade.

Hoje, quando cheguei, ele estava pensativo segurando uma tulipa roxa nas mãos. O cumprimentei, ele me olhou e eu já estava esperando uma de suas respostas atravessadas, mas em vez disso, ele continuou me olhando e sorriu. E como se não fosse o bastante, começou a andar em minha direção. Cada passo que ele dava, seu sorriso se abria mais e meu coração batia descontroladamente.

Por fim, ele alisou meu rosto, colocou a flor atrás da minha orelha e voltou a me encarar, ao mesmo tempo em que dizia:

You Only Live Once…

 


  • Foi há tanto tempo por Ally Pereira (Kay) 

O nosso último texto vencedor é uma poesia escrita pela leitora do blog Ally Pereira (Kay). Ela é de Sorocaba, do estado de São Paulo (pertinho de Botucatu 🙂 ). Confesso que amoo poesia, e fiquei muito feliz em ter um estilo de texto como esse entre os vencedores.

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Foi há tanto tempo,

Mas a memória não falha,

Foi na época em que eu “sentia” alegria

Há muito se afastou, acabou.

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Era tudo um sonho

Daqueles que, quando se sonha,

Não quer mais acordar.

Mas eu acordei.

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Abri os olhos e vi,

O que eu tinha feito para merecer?

Por que logo comigo?

Eu era feliz na ignorância,

Não via o sinais, ou os ignorava

Mas eu acordei.

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Foi numa noite em claro,

Nem conseguia dormir.

Meus olhos vacilaram,

As lágrimas rolaram…

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Um “oi ” desanimado, o desabafo, o choro

Desespero tomando conta;

Silêncio. Escuro.

Luz, um pequeno brilho

Lançando um trilho na escuridão,

Uma mão, uma voz, um riso.

Riso,

Riso,

Riso?

Risos!

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Sorrisos, abraços sentidos

Quilômetros pelo amor preenchidos,

Distâncias esquecidas,

Mais risos.

Palavras quentes, envolventes

Aquilo que eu precisava ouvir,

Finalmente eu consegui sentir.

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Havia alguém ali!

Não estava sozinha!

Foi nessa época que eu vi,

Ilusões de nada valem,

Do sentimento mais puro e verdadeiro,

Nasceu aquela amizade.

.

A mais bela das amizades.

Foi duro, triste, deprimente

Perceber que era tudo uma farsa,

Mas quando voltei a sentir novamente

Vi que valeu a pena cair,

Foi assim que encontrei um apoio,

Um abraço não-literal, mas cheio de sinceridade

Teve início a melhor das amizades.


O Desafio foi um sucesso! Amei ter essa interação maior com vocês, e parabéns aos ganhadores! Desejo muito sucesso à todos vocês, meus colegas de escrita! Espero que tenham se sentido mais livres para voar nas asas das palavras…

Um beijão!

Ana Laura Marins

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Minha farmácia literária de emergênciaO que eu aprendi em 2017 — e algumas outras coisinhas.
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  • Dada
    26 Dezembro, 2017 at 20:58

    Parabéns minha neta ....adorei a sua iniciativa e os textos .Cada um no seu estilo muito bem escolhidos !!!!! Vc vai voar muito alto minha […] Read MoreParabéns minha neta ....adorei a sua iniciativa e os textos .Cada um no seu estilo muito bem escolhidos !!!!! Vc vai voar muito alto minha paixão !!!! 👏👏👏👏👏😍😍😍😍😍😘😘😘😘😘 Read Less

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Sobre mim

Ana Laura Marins

Oie, eu sou a Ana Laura, tenho 15 anos e criei este blog para compartilhar meus sonhos e descobrir o meu lugar no mundo. Gosto de café, dias chuvosos e sorrisos sinceros, além da minha mania incurável de contar histórias.

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