A Estrada de Ferro Sorocabana e a importância de preservar nossa história - Coisas do Interior

18 Dezembro, 2017
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~ Um povo que não preocupa em preservar sua memória perde-se na história e se aniquila a curto prazo, na sua cultura.  (Pajo)

Eu cresci em uma cidade de interior, as histórias em mesas de almoço em família nunca faltaram. Entre elas, o nome Estrada de Ferro Sorocabana sempre esteve presente, visto que meu avô trabalhou lá ainda jovem e minha avó se locomovia pelos trilhos de ferro.

Ontem eu consegui visitar esse lugar tão conhecido e desconhecido ao mesmo tempo, e senti como se eu tivesse sido transportada diretamente para os anos de ouro da ferrovia. Pude sentir o aroma da fumaça, os trens apitando, pessoas indo e vindo, descendo e subindo nos trens… Senti a alma daquele lugar. Acharam que eu não ia compartilhar isso com vocês?!

Sim, os vagões estão abandonados. O tempo corre mais rápido ao olhar para eles, cada marquinha deteriorada mostrando quanto tempo já se passou, tão veloz quanto os trens.

A hoje inutilizada Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) foi inaugurada ainda na época do Império (pouco antiga né?) , ligando Sorocaba a São Paulo com a finalidade de transportar cana de açúcar para a capital. Foi expandida para Botucatu, minha cidade, para transportar café.

Eu ao lado de um pé de café. Resolvi trazer para vocês para quem não sabe como ele é.

Meu avô, que acompanhou minha visita, permitiu que eu adentrasse ainda mais naquele passado recente. Segundo ele, a EFS transportava desde pessoas à animais, produtos agrícolas e tudo que fosse preciso. A Estação era uma potência, todos queriam arranjar um trabalho lá.

Infelizmente, a Estação permaneceu abandonada e corroída pelo tempo desde 1999, quando os trens de passageiros pararam definitivamente de circular. Atualmente, a Estação foi restaurada e hoje está aberta à visitações.

Entrada da Estação. Só eu que achei aquele relógio o maior charme?

Eu sempre fiquei indignada com o jeito que tratavam o lugar que meus avós relembravam com tanto carinho e emoção. Quando soube da restauração, tive que ir visitar. Tudo isso me fez refletir e me perguntar: afinal, qual a importância de preservar o nosso passado?

Lembram do post que eu fiz esses dias (Clique aqui para dar uma olhada) onde eu comentei sobre a importância do autoconhecimento? Acho que meus argumentos virão a calhar agora.

Todo mundo tem um passado. Nem todos querem descobri-lo.

É doloroso saber que algo que já existiu não existe mais, saber que as coisas são passageiras, que podem e vão ter um fim. E isso, inconscientemente, nos remete a pensar na nossa finitude. Caímos na assustadora realidade de que, assim como uma Estação abandonada, não vamos existir para sempre.

Então, para que lembrar? Eu sempre tenho em mente que devemos viver cada dia intensamente, sendo quem somos e sentindo nosso coração. Só que, para descobrir quem somos, temos que revirar o passado, pois nossa existência depende dele. E é lá que a autodescoberta reside: bem fundo em um passado distante.

Somos feitos de histórias. Quem renega a própria história comete sempre os mesmos erros. Sabe por quê? Porque a história é circular, ela se repete várias e várias vezes, mudando apenas o palco, os personagens e a trilha sonora. Mas ah, a história, tão linda, é sempre a mesma.

Nessa continuação da nossa TAG Coisas do Interior, eu trouxe mais um pedacinho da minha história para vocês.

(Clique aqui se você quer ver mais um pedaço dela, na nossa primeira postagem da TAG)

Sabe essas janelinhas onde está escrito “Bilheteria”? Meu avô trabalhou ali por algum tempo, e agora, voltando ali depois de anos, eu posso dizer que a emoção de conhecer um pedacinho da sua vida é indescritível. (Minha avó me contou que ela sempre chegava atrasada, e esmurrava a porta da bilheteria porque já estava fechada. Hahahahaha. Minha cara fazer isso) .

Passear por aqueles corredores me deu uma sensação de bem estar. Pensar que ali foi o palco de inúmeros encontros e desencontros, emoções, encantos e desencantos. Agora, posso dizer que deixei um pedacinho de mim naquela Estação, junto com muitos outros, escondidos no tempo e no coração de cada um.

Sempre fui fascinada por trens e histórias, e pude encontrar os dois no mesmo lugar ontem. Nossa história deve ser preservada para o nosso próprio bem. Perder a cultura significa perder nossa identidade, sem contar que dar uma voltinha em uma Estação de trem é ser diretamente transportado para aqueles romances de época. Eu, pelo menos, amoooo. E vocês? 🙂

A Estação está aberta para quem quiser conhecer. Se passarem aqui em Botucatu, não deixem de visitar! Não vão se arrepender.

Minha criança interior não se conteve e me mandou tirar foto nesse trenzinho. Poxa! Ele é tão bonitinho.

A Estação é uma lembrança de saudade, escondida em um passado de muita fumaça. A minha felicidade em poder apresenta-la para vocês não pode ser medida, e espero que eu tenha conseguido mostrá-la um pouquinho de como eu a vejo: um lugar que faz parte de mim. É assim que eu relembro meu passado.

E você, como relembra o seu passado?

Ana Laura Marins

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Do que é feita a nossa paz?Extraordinário é um desafio para todos nós
All comments (2)
  • André
    18 Dezembro, 2017 at 23:25

    Muito legal Laurinha!!!! Viajei uma vez com o meu pai daí de Botucatu para São Paulo e acho que foi uma das últimas viagens que […] Read MoreMuito legal Laurinha!!!! Viajei uma vez com o meu pai daí de Botucatu para São Paulo e acho que foi uma das últimas viagens que fizeram nesta estação antes de ser fechada. Foi inesquecível... Boas lembranças... 😘 😘😘 Read Less

    Reply
    • Ana Laura Marins
      @André
      20 Dezembro, 2017 at 11:18

      Nossa, que demais! Sempre quis andar de trem hahahaha. Que bom que gostou. :)

      Reply

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Sobre mim

Ana Laura Marins

Oie, eu sou a Ana Laura, tenho 15 anos e criei este blog para compartilhar meus sonhos e descobrir o meu lugar no mundo. Gosto de café, dias chuvosos e sorrisos sinceros, além da minha mania incurável de contar histórias.

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