Amigos Paralelos

21 Fevereiro, 2017
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Meus pais sempre diziam “filha, quanto mais velhos ficamos, os amigos se tornam mais raros”. Nunca entendi tal afirmação, achava muito estranho quando minha mãe me contava histórias de antigas amigas, das quais ela nem tinha mais notícias.

Hoje, começo a entender um pouco do conceito. Parece que quando somos crianças, temos milhares de amigos, convidamos todos para as festas de aniversário, ninguém é diferente de ninguém. Mas, como tudo na vida, as coisas passam por transformações.

As pessoas, como é a regra natural da vida, mudam. Isso já é fato. Mas, a mudança poderia afetar uma amizade de anos? Por que as pessoas, simplesmente, deixam de serem amigas?

Essas perguntas me atormentavam anos atrás, mas a experiência me fez entender. Pessoas são como linhas. Existem as paralelas e as não paralelas (me desculpem se houver outro nome, matemática não é, digamos, minha paixão).

As não paralelas se cruzam em um momento do trajeto, mas se separam depois, deixando a vista apenas aquele ponto em que se cruzaram. As paralelas andam lado a lado a vida toda, até a infinidade do trajeto. Amizades podem ser relacionadas a essas linhas.

Amizade é algo difícil de explicar. A amizade verdadeira, nem com brigas, tempo ou distância conseguem apagar. É aquela risada sem motivo, e ter que segurar porque, normalmente, surge em momentos em que não se pode rir. É ir na casa da outra e saber onde fica exatamente tudo, e não ligar de ir até lá para fazer nada, ou assistir TV e colocar o pé no sofá, sem se preocupar.

É chorar junto, ajudar quando precisa, ficar feliz com a felicidade da outra. É aquele abraço forte depois de tempo sem se ver, a gritaria exagerada por qualquer coisa, refletir sobre a vida… É conseguir ser você mesmo, sem medir palavras nem esconder nada.

Não tenho amigas, tenho irmãs. O tempo mostra quem se importa com você, e essas pessoas, são contadas nos dedos. Pessoas as quais você confiaria a vida, e que nos momentos tristes e felizes, estão ali. Essas, sim, são amizades.

Quando crescemos um pouco mais, começamos a entender o sentido da palavra amizade. Não digo que é fácil esquecer antigos amigos. Têm dias em que me pego pensando em como sinto falta… Mas o problema é que não sentimos falta da pessoa, mas de quem ela era antes, e isso, não podemos mais ter.

Não que isso seja o caso de parar de falar totalmente com o outro. A questão é que isso é como cristal. Se quebra, você pode até colar, mas dificilmente fica igual como era antes de quebrado.

Mas, no lugar dessas que vão, outras vem, e as que nunca deixam o seu lado. Obrigada, do fundo do meu coração, para vocês, que são meus amigos paralelos.

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Atrás do Espelho – A.G. HowardPequena Estrela
All comments (3)
  • viviane_angela
    21 Fevereiro, 2017 at 13:16

    Que lindo Laura, me lembrei de todas as minhas amigas de infância. Graças à Deus ainda mantenho contato com algumas, mas também fiz novas amizades […] Read MoreQue lindo Laura, me lembrei de todas as minhas amigas de infância. Graças à Deus ainda mantenho contato com algumas, mas também fiz novas amizades que espero que durem para sempre. Parabéns pelo lindo texto, me fez voltar a minha infância. Read Less

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  • Bruna
    23 Fevereiro, 2017 at 18:32

    Ana, você é muito especial para mim, te amo muito. Obrigada por tudo

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  • Cibele
    20 Março, 2017 at 19:03

    Esse texto me fez lembrar muito de uma amiga de infância, amizade de mais ou menos uns 30 anos kkk tudo q li é exatamente […] Read MoreEsse texto me fez lembrar muito de uma amiga de infância, amizade de mais ou menos uns 30 anos kkk tudo q li é exatamente o q vivi, ir na casa dela sem motivo, nem q for pra sentar no sofá e ficar la, rir e chorar juntas. Fomos madrinha de casamento uma da outra, filhos praticamente nascidos juntos. Tenho amizades novas e antigas, cada uma tenho carinho especial. Amei seu Texto Ana Parabéns. Pude voltar ao tempo de infância agora :) Read Less

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Sobre mim

Ana Laura Marins

Oie, eu sou a Ana Laura, tenho 15 anos e criei este blog para compartilhar meus sonhos e descobrir o meu lugar no mundo. Gosto de café, dias chuvosos e sorrisos sinceros, além da minha mania incurável de contar histórias.

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